Sazonalidade Fotográfica

Uma vida profissional fotográfica autônoma apresenta muitos desafios no início de carreira. Ser seu próprio chefe necessita uma boa dose de disciplina, o que pessoalmente dá trabalho. É algo inicialmente complexo, mas torna-se habitual conforme ritmo de cada um (assim se espera). Em outras palavras, um fotógrafo, por não ter um trabalho fixo, teoricamente vive desempregado, mas ao mesmo tempo, seu trabalho nunca acaba, pois sempre há coisas por fazer nos diversos campos de atuação no âmbito fotográfico.

Assim como no Turismo, a sazonalidade fotográfica preocupa muitos profissionais em relação a prosperidade. A instabilidade no cotidiano, o buraco entre um trabalho e outro, ou mesmo um longo período sem luz, câmeras e ação, traz uma sensação de insegurança.Muitas vezes, uma reprovação antecipada, o que torna-se prejudicial se não contornada.

Eu é claro que vivo isso. Terminei minha graduação em Turismo no final de 2011, e desde o início do ano estou integralmente desenvolvendo minhas competências fotográficas. Realizei várias assistências fotográficas, o que me permitiram uma experiência parcial do que é o mercado de trabalho. Por acreditar e ouvir que a fotografia não trata-se de uma profissão, e sim de uma carreira, logo concluo que meus dez meses dedicados a minha imagem profissional não seriam suficientes para preencher minha agenda com trabalhos.

Digo isso, porque semana passada, por exemplo, eu não fiz absolutamente, nada, zero, nulo produção, agenda livre. E agora ? No início da semana, fiz uma reflexão interna sobre essas entrelinhas que citei acima, e ao longo da semana, botei a cabeça para funcionar e lembrei daquela história que o fotógrafo é o único desempregado que está cheio de coisas pra fazer. Sendo assim, cheguei a alguns tópicos oportunos para por em prática nesses períodos sombrios.

Fotograficamente falando : O que fazer quando não tem nada pra fazer ?!
Aí vão algumas sugestões :

1. Organizar espaço no HD

Vamos começar pelo início. Algo que deve-se fazer com periodicidade é a organização de pastas, arquivos e espaço tanto no computador quanto nos HD externos. Lembrando que quanto maior a constância dessa ‘faxina’, menos trabalho se terá ao fazer uma, pois não haverá acúmulo de material. De uma forma bem básica, separo meu material entre ‘pessoal’ e ‘trabalho’, e notei também que a cada semestre existe a demanda de um novo HD externo, então tenho separado a cronologia do tempo por semestres.

Durante esse processo, já é oportuno conferir se todo o material tem backup respectivo no HD externo, permitindo que os arquivos sejam deletados do HD interno do computador, liberando espaço importante para novos trabalhos e principalmente para a velocidade de processamento das máquinas.

2. Organizar o portfólio

É muita imagem! Pra mim fotos, assim como bons vinhos, tomam corpo e adquirem credibilidade conforme o tempo. Nesses momentos de inércia e total descriatividade fotográfica, olho pra trás, e vejo as coisas bacanas que já criei para me auto-relevar, e geralmente funciona, rs. Dando continuidade, chega-se o momento de separar aquele material que você julga ser especial pra você, aquelas imagens que representam sua linguagem e forma de comunicação, e não é uma tarefa fácil. Mas praticar este olhar é fundamental, tal como olhar a fotografia como se não fosse sua. Agilizar essa pré seleção pode ser muito importante, pois ocasionalmente terá a oportunidade de fazer uma leitura de portfólio com um curador, alguém com conhecimento suficiente para lhe esclarecer o que e quem você é fotograficamente falando. É bom ter tudo separado, acompanhando o fluxo de produção de imagens, digo isso pois selecionar seu próprio material ‘com pressa’ torna-se uma atividade impraticável, além de provavelmente incompleta.

3. Informar-se sobre concursos fotográficos.

Recebo em minha caixa de emails alguns informativos de portais fotográficos, como por exemplo o boletim da Confederação Brasileira de Fotografia. Lá por exemplo, é um prato cheio pra quem é entusiasta da fotografia autoral, pois apresentam-se uma quantidade quase que infinita de concursos fotográficos, das mais variadas origens. Editais, concursos municipais, estaduais, nacionais, institucionais, corporativos, campeonatos, encontros e exposições são só um exemplo da infinidade de propósitos que nossas imagens podem contribuir. Dá trabalho, geralmente a burocracia destes concursos exigem uma iniciativa do proponente (inscrição, revelação, envio, etc) mas vale a pena. Muitos tem prêmios em dinheiro, e acredito que quando se compreende o fluxo da ´coisa´, tende a ficar mais fácil. Em 2013, quero separar um parcela de dedicação para a construção da minha imagem como fotógrafo autoral e apresentar meus projetos ao mundo ! (rs)

4. Procurar especializações e cursos

Somos eternos acomodados. Enquanto estava corrigindo meu trabalho de conclusão de curso em Turismo, fui contaminado por uma sensação de descontinuidade acadêmica, em outras palavras, tô me sentindo burro ! Tudo bem, que sou incentivado a acreditar que o maior aprendizado é adquirido durante minhas assistências, o que é bem verdade. O andamento do set durante o trabalho promove uma percepção única o que é realmente ‘ser’ fotógrafo e todas as responsabilidades que se confiam nele.Contudo, sinto falta de uma base fotográfica, pois muito do que aprendi foi com os fotógrafos que acompanhei, a outra parte é pura intuição e a mundialmente conhecida transpiração. Ultimamente tenho me sentido um pouco inseguro em relação a técnica, e uma das formas de suprir essa lacuna é dar continuidade no processo de aprendizado. Não faria uma faculdade hoje, pois o tempo necessário para essa atividade eliminaria grande parte da disponibidade para novos trabalhos, agora não dá. Por outro lado, precisa-se encontrar outras alternativas para dar continuidade ao conhecimento. Estudar. Cursos de curta duração, intensivos, palestras e afins são uma forma de investir em si e aprimorar sua imagem como profissional. São Paulo, New York, Milano, Floripa ou Internet, tanto faz o destino, desde que a busca pelo conhecimento nunca termine.

5. Fotografar !

Pode parecer esquisito, mas sim, sair lá fora para fotografar pode ser uma alternativa produtiva para o ócio temporário. Há algumas semanas atrás tive o privilégio de ouvir o fotógrafo Fábio Cabral falar sobre sua carreira, e entre outras coisas, mencionou algo que pra mim é difícil de entender ”Só fotografo se me se for trabalho, se pagarem, vocês não me verão com uma câmera no pescoço fotografando espontaneamente…” É claro, o Fábio já atingiu uma maturidade profissional exemplar, diga-se de passagem muito próspera, então, ele permite-se esse tipo de ausência…enfim. Já quem, assim como eu, está começando, deveria ter em mente que quaisquer saída fotográfica beneficia sua linguagem, técnica,etc. Pessoalmente tenho me sentido frustrado por não conseguir colocar em prática algumas idéias já rasuradas em muitos, muitos papéis. O mais importante é que o entusiasmo fotográfico esteja vivo, que as idéias aflorem e tornem-se vivas, para que você não fotografe exclusivamente por trabalho, mas também pelo simples ato de fotografar.

Já temos aí, algumas maneiras de preencher o tempo livre fotográfico.
E você, o que faz quando não tem trabalho ? Sugestões são sempre bem vindas !
Vou lá, que agora vou trabalhar, até porque, ação atrai produtividade ! Manda ver e good vibes !

20121004-205716.jpg
Eu ´fazendo nada´ em San Diego, em mais um local que faz parte de um projeto pessoal chamado ´O Turista´

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5 thoughts on “Sazonalidade Fotográfica

  1. Muito bom o texto Gabriel! Gostei bastante de ler estes teus devaneios mais ‘técnicos’. Eu como fotógrafo eternamente amador não posso afirmar muito pois já a algum tempo desisti da ideia de levar a fotografia como profissão em tempo integral, mas me identifiquei com alguns pontos. A organização dos arquivos é de fato ago que exige frequência, estou para formatar o computador e a dor de cabeça que tá me dando fazer o backup das fotos não tá no caderninho.. é um bocado de foto ruim ocupando espaço, foto boa perdida no meio.. enfim, uma zona.

    Quanto à frase do Fábio Cabral, não posso deixar de me sentir um pouco espantado. É complicado.. o que pensar quando um cara tem uma técnica impecável, um olhar brilhante, criatividade a mil, mas só os utiliza mediante troca pecuniária, e os projetos pessoais como ficam? E os registros dignos de serem registrados ao longo da vida? Levar a coisa como ele disse é no mínimo desperdício de talento..

    Gostei da reflexão, o blog ta bacana.. parabéns por mais um projeto de qualidade,
    Abs!

    1. Acabei de me encontrar com este teu post.
      Como um fotógrafo aspirante e eternamente amador como disse o Guilherme, eu de vez em quando me encontro nessa situação. “O que fazer quando não tem o que fazer?”.Além de buscar informações, estudar e etc, o que mais me atrai, sem dúvida é sair sem compromisso, apenas sua câmera, uma lente(geralmente minha fiel 50mm 1.4) e explorar minha cidade.

      Muitos fotógrafos sonham em viajar pelo mundo para construir seus trabalhos autorais. Isso é muito bom, e deve ser alimentado dentro de cada um, mas a sensação de descobrir um novo horizonte no lugar onde você se encontra, um novo retrato, uma nova paisagem que você nem imaginava que existiam, isso sim pode te inspirar e impulsionar para um novo patamar como fotógrafo.

      If you discover this you will be able to “see the big picture” of this lifestyle!

      Parabéns pelo Blog Gabiel, você sabe que admiro seu trabalho.

      Abss!

    2. Dale Gui ! Desistir nunca, persistir sempre. Por não ser profissão e sim carreira, é importante dar continuidade, mesmo não sendo essa a fonte de renda.

      Quanto ao Fábio, foi apenas algo para polemizar, hehe. O cara é daqueles pouquíssimos bem resolvidos que apropriaram-se deste direito, mesmo estando errados ! Realmente um disperdício.

      Valeu, vamos sacudir o entusiasmo. Abraços !

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